Onde limite é a virgula e não o ponto.


Juiz Inimputável

03/04/2014 07:00

Juiz Inimputável

 

A todos os passarinhos à gaiola condeno!

Pelo inafiançável crime de ousar voar

E aos sonhos do homem alentar...

Autuo! Pelo delito de fiar o ar

E o tempo nas nuvens costurar

Pois que é vil as Moiras se comparar...

 

A todos os sonhadores ordeno!

A sentença agora executar

Sem nenhum direito a liminar

A estas asas quiméricas amputar

Pois que é grave infração pensar

Deter o poder para a realidade burlar...

 

E finalmente promulgo:

 

À pequena Ave-Maria, aquele Nazareno!

Pelo crime capital do ser aplainar

Pela tentativa à alma mundana libertar

A efígie de aves em homens originar

Por pregar tais anjos em vis seres

Ser pregado! Na jaula do corpo ei de crucificar!

 

Pois o que seria da humanidade?

Se nos reduzíssemos a salve anjos?

Não permitirei tal desumanidade

Propago a extinção dos pássaros

Pois que incentivam homens alados!

E iguais devemos estar lado a lado... ao lodo... Todos!

 

Maurício de Carvalho Gervazoni

Imagem: Google Images

Mais de mim: https://www.sem-fronteiras.net/news/havia-dor/

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